Aquele maldito jardim. De novo. aquele perverso, horrível, encantador e lindo jardim. Ainda que me perguntasse o por que caralhos eu estava percorrendo aquele caminho repetidamente, mesmo odiando e adorando aquele lugar, não achava resposta na minha mente que me convencesse o suficiente do real por que de eu estar ali. Mas no fundo, acho que não importava mais àquela altura do campeonato o que eu estava fazendo ou onde estava. Voltando ao assunto, eu estava caminhando naquele maldito jardim, ouvindo o uivo solitário dos meus cachorros procurando o cadáver putrefato daquela que um dia eu amei, o que pode parecer doentio, maluco ou os dois juntos, mas como havia dito: eu não me importo...Não mais.
Lá estava eu. Percorrendo caminhos sem sentido sob a luz do luar e o vento cortante rasgando minha pele, ouvindo o apenas a chuva caindo na terra e os cães correndo e a procurando, sem nenhum sentido nem propósito, eu me perguntara o que eu estava fazendo com a minha vida. E as orquídeas ao meu redor? Deus, aquelas orquídeas desgraçadas, encarando-me como se fossem predadores prontos pra pular em meu pescoço, rasgar a minha carne em tiras e beber o sangue alojado por entre minhas artérias... isso pode parecer estranho, mas sim, elas me dão muito medo, um medo mortal, por assim dizer. Mas não, eu tinha que acabar com isso de uma vez. Eu corri, corri e corri, atravessei todo o jardim, derrubei os cachorros inúteis no chão, e encontrei uma fonte, uma fonte de água pura e cristalina, com o cadáver de Íris apodrecendo e sendo corroído por vermes alí mesmo, eu não aguentava essa visão, eu não conseguia, eu simplesmente gritei, gritei como um louco, derrubei aquela fonte, rasguei as folhas, peguei um isqueiro e queimei tudo que pude, mas de nada adiantou. Elas já estavam ali, elas já se deleitaram com Íris. Era tarde demais. Nós morremos em vão.
Contos, Parábolas, Non-sense, Pensamentos, Decepções e todo o resto que se passar na minha cabeça.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Pescadores de Almas
Já havia cerca de um mês desde que a vida quase acabara para mim. Passado um susto no qual quase fui embora deste mundo, a pessoa a quem eu mais nutria amor pisoteou-me como um nada, minha família abandonou-me para viver sozinho e encarar a realidade. Já não era sem tempo que mais coisas ruins ou boas (a essa altura já nem me importava mais o que acontecia, ou como acontecia) começassem a aparecer na minha vida.
Eis que eu estou caminhando pelo pier, cerca de 3 horas da madrugada, ouvindo só o mar batendo nas duras estacas de madeira cravadas na areia, e vejo um homem no horizonte. lá no fim do pier estava ele. Eu não sabia o que ou por que ele estava ali, e acho que no fundo queria saber, por isso fui falar com ele. "Ei, o que diabos um senhor de idade faz na beira de um pier pescando às 3 da manhã de uma porra de sexta feira?" "Pergunto o mesmo a você, o jovem que está perambulando sozinho pela madrugada." Respondeu-me ele com um sorriso. "É, admito que me pegou nessa." Falei enquanto ia sentando ao seu lado e oferecendo-o uma garrafa de vinho. "Não, obrigado, já não bebo há anos." "Bem, você que sabe." Falei, dando mais um gole na garrafa, que foi interrompido pela brusca fala dele, dizendo: "Pescando." "O que?"
"Você me perguntou o que eu estava fazendo. Estou pescando." "É....e pegou algo?" "Muitas." "Muitas o que?" "Ah, você não iria entender, é coisa demais pra ser explicado...mas algo me diz que você já sabe, só não descobriu ainda." "O que?" "Almas. é o que eu pesco." "Como?" "Isso não vem ao caso, só me diga: o que lhe traz aqui?" "Bem...minha vida tá horrível, eu só saí pra um passeio." "E nunca tentou resolver os problemas?" "Não tem sentido fazer isso, só vem mais problemas ainda."
Em um flash, zunindo como o vento uivante, um carro passou com a luz ligada, e por um breve momento pude ver seu rosto: ele era apenas ossos. "Mas que merda é essa?" "Ah, eu disse que você não entenderia no final das contas, apesar de não ter descoberto" "O que você est-AAAAAAAAAAAAAAAGH" Um grito ecoou por toda a rua. não tinha mais nenhum som, nem gritos, nem nada. A morte não consegue pescar as almas dos que já morreram por dentro.
Eis que eu estou caminhando pelo pier, cerca de 3 horas da madrugada, ouvindo só o mar batendo nas duras estacas de madeira cravadas na areia, e vejo um homem no horizonte. lá no fim do pier estava ele. Eu não sabia o que ou por que ele estava ali, e acho que no fundo queria saber, por isso fui falar com ele. "Ei, o que diabos um senhor de idade faz na beira de um pier pescando às 3 da manhã de uma porra de sexta feira?" "Pergunto o mesmo a você, o jovem que está perambulando sozinho pela madrugada." Respondeu-me ele com um sorriso. "É, admito que me pegou nessa." Falei enquanto ia sentando ao seu lado e oferecendo-o uma garrafa de vinho. "Não, obrigado, já não bebo há anos." "Bem, você que sabe." Falei, dando mais um gole na garrafa, que foi interrompido pela brusca fala dele, dizendo: "Pescando." "O que?"
"Você me perguntou o que eu estava fazendo. Estou pescando." "É....e pegou algo?" "Muitas." "Muitas o que?" "Ah, você não iria entender, é coisa demais pra ser explicado...mas algo me diz que você já sabe, só não descobriu ainda." "O que?" "Almas. é o que eu pesco." "Como?" "Isso não vem ao caso, só me diga: o que lhe traz aqui?" "Bem...minha vida tá horrível, eu só saí pra um passeio." "E nunca tentou resolver os problemas?" "Não tem sentido fazer isso, só vem mais problemas ainda."
Em um flash, zunindo como o vento uivante, um carro passou com a luz ligada, e por um breve momento pude ver seu rosto: ele era apenas ossos. "Mas que merda é essa?" "Ah, eu disse que você não entenderia no final das contas, apesar de não ter descoberto" "O que você est-AAAAAAAAAAAAAAAGH" Um grito ecoou por toda a rua. não tinha mais nenhum som, nem gritos, nem nada. A morte não consegue pescar as almas dos que já morreram por dentro.
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