Aquele maldito jardim. De novo. aquele perverso, horrível, encantador e lindo jardim. Ainda que me perguntasse o por que caralhos eu estava percorrendo aquele caminho repetidamente, mesmo odiando e adorando aquele lugar, não achava resposta na minha mente que me convencesse o suficiente do real por que de eu estar ali. Mas no fundo, acho que não importava mais àquela altura do campeonato o que eu estava fazendo ou onde estava. Voltando ao assunto, eu estava caminhando naquele maldito jardim, ouvindo o uivo solitário dos meus cachorros procurando o cadáver putrefato daquela que um dia eu amei, o que pode parecer doentio, maluco ou os dois juntos, mas como havia dito: eu não me importo...Não mais.
Lá estava eu. Percorrendo caminhos sem sentido sob a luz do luar e o vento cortante rasgando minha pele, ouvindo o apenas a chuva caindo na terra e os cães correndo e a procurando, sem nenhum sentido nem propósito, eu me perguntara o que eu estava fazendo com a minha vida. E as orquídeas ao meu redor? Deus, aquelas orquídeas desgraçadas, encarando-me como se fossem predadores prontos pra pular em meu pescoço, rasgar a minha carne em tiras e beber o sangue alojado por entre minhas artérias... isso pode parecer estranho, mas sim, elas me dão muito medo, um medo mortal, por assim dizer. Mas não, eu tinha que acabar com isso de uma vez. Eu corri, corri e corri, atravessei todo o jardim, derrubei os cachorros inúteis no chão, e encontrei uma fonte, uma fonte de água pura e cristalina, com o cadáver de Íris apodrecendo e sendo corroído por vermes alí mesmo, eu não aguentava essa visão, eu não conseguia, eu simplesmente gritei, gritei como um louco, derrubei aquela fonte, rasguei as folhas, peguei um isqueiro e queimei tudo que pude, mas de nada adiantou. Elas já estavam ali, elas já se deleitaram com Íris. Era tarde demais. Nós morremos em vão.
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